bombeiro [poema]

Caio Perroni    Novembro 23, 2021

TEXTO

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Eles te enchem a bola se você “entrega”.

Eles te elogiam, dizem que você é “foda”.

“Acima da média”, um “Rockstar”.

Eles cobram através de coisas.

Como o mérito.

Te avaliam por.

Te medem em.

“Performance”.

Você pode até ser chamado “herói”.

Bombeiro.


Toda subjetividade está lá.

Tem “mentoria”, “coaching”.

Está “pronto pra ser líder”.

Que bom né.

Burburinho do bem.

Acredite muito não.

Gente? que(m) levanta assim:

Também derruba.


Eles também dizem.

Que está tudo bem, até, errar.

Mas ai você – cai – nessas paradas.

Algumas linhas daqui pra cima.

Que não tem nada de psicologia.

Só mais mérito difarçado.

Mais monstros?


Coach é gringuês.

Pra treinador de futebol.

Ali é competição.

O trabalho também é né.

Competir e entregar.

Pra que colaborar?

Mas hoje “até” – tem.

Os “pofexô” da lida.


Por que eles são muito humanos.

E se “importam”.

Querem te ajudar, te guiar.

Mas precisam apontar.

Agora, defeitos.


Pois, se falhar de novo.

Visse…

Se falhar você.

Ou você falhar – cai

Ou cai pro banco.

Ou cai pra rua.

Pro desocupe. Dez emprego.

Ou cai tua saúde mental.

Eu, Caio.

Burburinho do mal


Mérito acima de tudo.

Mas até: reconhecimento, respeito.

Bem menos.

Amizade, proteção e carinho.

Afeto.


Só vem pra quem “entrega”?

Mas, vem. Ou não.

Acontecer ? O que pode – rá!

Pois aqui só ou só aqui, um – cenário:


Você “vence”.

No jogo deles.

Nas regras deles.

Entre erros e erros vai bem.

Prova atrás de prova.

Desafio por desafio.

Por anos, se dedica, “entrega”.

Não dá problema.

Quase não dá trabalho.

Só “entrega”, faz trabalho.

Trabalho bom.

Tem mérito?

Temerário.


Ai do nada a situação.

Muda um pouquinho.

Uma vez em cem vezes.

Você tem um problema.

Ou alguém tem um.

Problema ponto com você.


Você precisa de cuidado.

Mais que honra ao mérito.

Talvez mais até.

Algo de “proteção”.

Mais afeto.

Menos mérito.

Benemérito.


E parece que tudo está.

Está tudo dando errado.

Você pede ajuda.

Sugere soluções.

Tenta orientar.

Tenta ser orientado.

Mundo que mente.

Em teoria.

Mentoria.


E de repente suas “entregas”.

De anos. Parece que se tornam.

Um – problema?

Motivo de ataque? Cobrança.

Eles te chamam de “preciosista”.

Questionam se.

Você é irredutível?

Inflexível.


Te acusam de arrogante.

Autoritário.

Logo você.

Deve ser otário mesmo.

Por “entregar” tanto.


Seu nível é muito alto.

Você é qualificado demais.

Talvez isso seja o problema.

Talvez aconteça de novo.

O(s) problema(s).

Seus ou nada.


Dizem que não é saudável.

A “cultura do herói”.

Agora querem que você.

Se sinta mal por isso?

Querem.

Se vacilar fazem até.

Pedir perdão.

Por entregar.


E te fazem ouvir.

Que vai ser assim.

Ponto final.

Parece tá tudo bem.

O parquinho parte bom.

E parte queimado.

Agora pode.


Aceite só pra ter “paz” né.

Li por ai.

Na primeira pessoa quase só agora.

“Perceba a — violência –, só um bom.

Tempo depois?”

Também não qu(ei)r(i)a.


Você não pode mais.

Ser bom.

Ser bombeiro?

Seja medíocre agora.

Tudo “bem”?

Se contente com.

A medíocridade.

Se coloque no seu.

Lugar. Mede, grandão?

Médião.


Seja você o problema.

Seja um problema seu.

Seja nada.

Seja Seu.


Estamos precisando voltar.

Voltar a falar.

Falar de lealdade?

Talvez.


Mas a mim me parece.

Que nem ser muito bom.

Não é mais bom.

Ou bom.

O suficiente.

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